quarta-feira, 15 de abril de 2009

"O amor, na ordem do impossível, não cessa de se escrever" - O amor-sonho


O amor, um delírio que se inscreve no real, no imaginário e no simbólico, que se desconfigura na ordem e na desordem se instala, é o que não cessa de não se compreender. Somente assim se sustenta como amor, lugar da loucura, do devaneio e do caos, do nó borromeano, segundo Lacan: imagem, sujeito e ser, em diferentes registros.
O amor, configurado na mulher, Freud já explicou... Ausência do falo, o gozo da fala enquanto significante, o Outro da falta, o amor infinito, ao qual não se tem meios de dar nenhuma significação, o amor poético, que escapa o campo da repetição e do narcisismo, o amor louco.
Contudo, o sentimento transpõe às idéias. Certa vez ouvi de alguém especial: “Você é puro amor”. De fato, estou na ordem do real, do simbólico e do imaginário, sou amor-sonho, que dorme e acorda e, num delírio, não se distingue no sonho ou na realidade, pois é a própria irrealidade do sonho. Sou apenas sua presença e morte, sou loucura e dor, sou de fato amor, sou mulher.
Se me refaço, refaço também o amor, eternizando-me no amor-sonho, paradoxo do próprio amor.
As intensidades que em mim existem e tornam-me presença viva e pulsante no espaço somente hão de cessar quando o amor lhes faltar... Mas se na falta ainda se inscreve o amor... Sou inteira amor, amor-sonho – delírio na realidade – que mesmo no impossível não cessa de se escrever, pois o vejo além da ponta do nariz.

Um comentário:

  1. De uma sensibilidade incrível. Talvez seja esse amor-sonho que nos mantenha vivas(não apenas sendo mais um ser existente).

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