Integro-me no espaço que me acolhe, agora ele é meu e eu sou dele. Juntos dançamos, cantamos, gritamos, transformamos equilíbrio em desequilíbrio. Não sei o que fazer, mas faço o que não sei, e isso me excita! Sou homem, sou animal, sou eu, dentro e fora mim. Somos um só. Falamos e fazemos o que queremos ou não falamos nem fazemos nada.... Somos livres. Não. “O céu ainda pode cair sobre nossas cabeças”. Mas respiro.... Sinto-me livre. Livre do sentido, no entanto, percebo que estou repleta dele. Eu não penso, faço. Eu faço, às vezes depois eu penso. Abro os olhos, burlados por alguma lágrima não contida, e tudo o que tinha que acontecer... Simplesmente acontece. Alguma coisa acontece, que eu não sei.....Tudo o que não tinha sentido começar a se fazer sentido. O repleto se desfaz.Tudo azul. Morre o chuvisco que penetrava meus olhos. Nesse instante, branco e preto. Onde está o branco, o preto, o azul da minha alma?A janela fechada agora está aberta, está perto, os corpos atravessam para o outro lado, o lado do infinito, onde o vazio é preenchido e posso ser livre.Fora da janela ali estou, fora da alma, livre.De repente, tudo volta a se tornar azul. Vazio...
Esvaziado de vazio....
É o pleno.
Da janela, agora eu me vejo.
(Experiência performática em 2006 - DEART Outo Preto - MG)
terça-feira, 17 de agosto de 2010
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