Há uma certa contaminação de vida na performance, prolixa pelas vibrações latentes de um corpo que se coloca no meio dos destroços de uma arte em desconstrução. Um corpo que se transcreve como linguagem da performance e que, encarnado por devires, busca na experiência cênica sua singularidade. Não há acabamentos e moldes no corpo performático, seu processo de recriação é infindável e está na ordem do caos, onde encontra o seu não-lugar. A partir desta análise é possível compreender o “estado de corpo” na cena performática, que se manifesta dentro de um processo autofágico e através de sua desorganização torna-se capaz de se refazer a cada instante em busca da eminência da ação. Para tanto, é necessário ainda refletir sobre a atuação do corpo na construção e na desconstrução de imagens, capazes de revelar o desenho de uma linguagem cênica poética, onde não há palavras, nem ao menos semântica; o que se escreve é apenas o corpo no vazio e o vazio no corpo, que preenchido no espaço e no tempo torna-se ação. Assim, corpoespaçotempo é a manifestação total do corpo em ação na performance. Imerso na profundidade do instante, o corpo, em devir, torna-se capaz de se escrever no espaço e no tempo em que se faz presença, configurando-se como linguagem pura e viva da cena.
Trabalho completo em: http://www.etnocenologia.org/vicoloquio/index.php?option=com_content&view=article&id=92:laila-klair-araujo-pifano-o-corpo-linguagem-da-performance-corpoespacotempo&catid=2:textos-completos&Itemid=15

Sua escrita mata a Coisa e dá lugar a Issso...
ResponderExcluirApaixonante! A geleira está em rosas hj. Obrigado!
Argonauta