quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A respeito das realidades múltiplas...


“Os sonhos dos homens são de duas classes. Uns, cheios de vida cotidiana e suas preocupações, seus desejos, seus vícios, combinam-se de uma maneira mais ou menos estranha com os objetos percebidos durante o dia que indiscretamente se fixaram sobre a vasta tela da memória. Eis os sonho natural; é o próprio homem. Mas e a outra espécie de sonho? O sonho absurdo, imprevisto, sem relação nem conexão com o caráter, a vida e as paixões do adormecido? Este sonho que chamarei de hieroglífico, representa evidentemente o lado sobrenatural da vida, e é justamente por ser absurdo que os antigos julgavam-o divino. Como é inexplicável pelas causas naturais, atribuíram-lhe uma causa exterior ao homem; e ainda hoje, sem falar dos oniroman-cistas, existe uma escola filosófica que vê nos sonhos deste gênero ora uma admoestação, ora um conselho; em suma, um quadro simbólico e moral gerado no próprio espírito do homem adormecido. É um dicionário que se precisa estudar, uma língua cuja chave podem obter os sábios” (Baudelaire)

Nenhum comentário:

Postar um comentário