segunda-feira, 30 de março de 2009

Ilusão (Des) Ilusão – Simples noção de perspectiva


“É necessário perder a ilusão para encontrar sentido em todas as coisas.”

Vivemos imersos na ilusão.
Na constante e agônica busca do sentido necessitamos desesperadamente enxergar o “real”. Não podemos mais ser enganados, iludidos, principalmente por nós mesmos!
Ouso dizer: ilusão é uma simples noção de perspectiva, ora, ligadas ao ponto de fuga as linhas que conectam os lugares, as pessoas, os objetos, o tempo, criam profundidade nas relações entre estes, o que submerge a noção do “real” e nos torna seres cada vez mais “iludidos”.
(Des)iludir faz-se tarefa simples! Desfazendo as linhas conectivas quebram-se as relações, dissolve-se a profundidade, perde-se a noção de distância, destrói-se a perspectiva! A linha do horizonte, aquela onde se situam os nossos pontos de fuga torna-se menos evidente e assim tudo fica na superfície, mais próximo, mais “real”, mais (des) iludido.
Simples?! Talvez...
No entanto, ouso perguntar: Há sentido em uma vida sem profundidade, sem perspectiva, sem ilusão?

4 comentários:

  1. .
    “É necessário perder a ilusão para encontrar sentido em todas as coisas” constitui-se premissa Verdadeira.
    É simples observar que a maioria humana vive imersa na ilusão. Nela está sua diversão e seu consumo, sua aparente riqueza e seu absoluto vazio.
    Mas há aqueles que não se acomodam ante as heranças – mensagens de submissão e adequação ao mundo das formas. Rebelam-se, contestam o “modelo”, ainda que aparentemente façam como os demais, sabem que há diferença, essencial, na forma de ver e se relacionar com o mundo.
    Enxergar o Real requer disponibilidade – atenção e entrega.
    Podemos, sim, ser enganados e iludidos, mas, apenas, por nós mesmos – o “outro” só nos engana se aceitamos o engano, caso contrário, não pode ocorrer.
    Ilusão não é mera questão de perspectiva, porque de qualquer ângulo que se olhe a ilusão será a mesma e única – seu desfazimento é questão de atenção e percepção, de quebra de padrões conceituais e paradigmas formais.
    Colocando de uma forma mais simples: tudo o que tem princípio e fim é ilusão. Tudo o que nasce e morre não é real – embora pareça sê-lo. Apenas o imperecível é Real.
    Onde então a Realidade?
    O (senhor) ego é o mantenedor da ilusão do mundo. Personagem multifacetado que incorpora nos seres humanos função de divindade. Adota a racionalidade como instrumento de conceituação e parametrização da vida, dita normas, estabelece conceitos, abusa de preconceitos, limita, oprime, destrói, mata.
    Desiludir é tarefa simples – aos “homens de boa vontade”.
    Prática? – Primeiro passo: respirar.
    Segundo passo: silenciar a mente – calar o ego.
    Terceiro passo: perscrutar o silêncio – até que a Verdade seja revelada.
    Somente assim torna-se possível “o desfazimento das linhas conectivas entre a Realidade e o que nunca será: relações, profundidade, distância, perspectiva, passado, futuro, mundo, tempo-espaço, ...”.
    O homem só percebe o sentido da Vida quando se permite Ser – superando-se além da humanidade que o oprime e o submete.
    O sentido da Vida está diante de todos olhares, em um nível de consciência distinto do sentido do mundo. Assim, se olhamos o mundo não alcançamos a Vida. Para vislumbrá-la é preciso abandonar o mundo. A escolha, portanto, determina o caminho.
    Nada há oculto que não seja revelado a quem busca com o coração.
    .
    Luz e paz
    .

    ResponderExcluir
  2. Caro João
    Fiquei feliz em ver que passastes por aqui... Também viajei pelo seu blog e como já imaginava és realmente uma pessoa muito iluminada.
    Acredito que uma das coisas que engrandece o homem é a sua capacidade de fazer conexões com o outro e com as suas idéias, estas, sempre singulares, sempre à deriva de alguém para segui-las, contestá-las ou ignorá-las. Idéias são idéias e são inerentes à visão pessoal e às formas de viver de cada ser. Portanto, jamais podem ser colocadas como padrões ou modelos a serem seguidos, mas sim, realmente sentidos.
    Real e ilusório são conceitos muito particulares. No caso, a “idéia” de ilusão está colocada na postagem para ser interpretada sob a visão pessoal, carregada de experiências de vida de cada um que por aqui passe, afinal, nada neste blog está amarrado a conceitos fechados ou pré-estabelecidos, caso contrário, refazer-me se tornaria impossível.
    Contudo, talvez seja necessário explicar minha abordagem, na qual a ilusão se instala como uma experiência artística, não obstante, de vida também; pois o que seria de nós artistas se não pudéssemos enveredar-nos pelos labirintos e desenvolver a sensibilidade de estar imersos na fantasia, na loucura, na intensidade, no devaneio; lugares nos quais somente ilusão nos coloca?
    A “ilusão é tudo o que tem começo e fim”, e tudo o que tem começo e fim não pode e deve ser vivido com profundidade em seu meio? A ilusão torna-se vazia se mergulharmos em sua profundidade somente com a carne, deixando a alma na superfície. Não há riquezas na ilusão ou no real, mas nas verdades que encontramos em nossa existência e como elas se configuram nos limites entre a realidade e a fantasia.
    É exatamente pelo fato de que “de qualquer ângulo que se olhe a ilusão será a mesma e única” que a comparo com a perspectiva, pois temos o local infinito que é a linha do horizonte para colocar o ponto de fuga e assim projetarmos a ilusão. “Seu desfazimento é questão de atenção e percepção, de quebra de padrões conceituais e paradigmas formais”, ou seja, a quebra das linhas que conectam o ponto de fuga ao “objeto”, na comparação por mim utilizada, a nós. Quebrar tais linhas é realmente questão de vontade, de desejo, do querer enxergar além do que a ilusão permite, e isso se torna necessário quando não a entendemos ou não sabemos experimentá-la, quando ela cega o real, impedindo-nos de transitar sem amarras pelos dois universos. De fato, a falta dessa consciência colocaria a ilusão em um lugar destrutivo, vazio e dominado pelo ego.
    Entender e mergulhar na ilusão não significa desprezar o real. É só uma questão de saber fazê-lo para que seja possível a experiência permanente de descoberta que cada um trava dentro de si. No entanto, desprezar a ilusão para enxergar o real é viver para a busca do sentido, uma busca agônica e infindável, capaz de quebrar a magia, o encantamento e desfazer o local onde projetamos nossos sonhos e nossas esperanças, onde podemos mergulhar com profundidade, intensidade e verdade, assim como fazem as crianças, que vivem imersas no mundo das ilusões. Talvez a busca desesperadora pelo real sentido das coisas se deva ao fato de não sabermos mais viver como as crianças...

    Como o que aqui escrevo são apenas idéias, minhas, posso dizer que tudo se torna questão de ponto de vista, de como enxergamos e nos colocamos diante do mundo e das
    experiências vividas.

    Sinto a paz em ti e muitas vezes eu também a sinto, como agora, mas ela dificilmente se torna uma constante na louca vida de um artista, pois não há criação sem as inquietações da alma. Talvez seja exatamente por isso que algumas pessoas tornam-se artistas, pelo fato de nunca conseguirem estar em completa paz. Estes geralmente são os inesquecíveis. (Ainda escreverei sobre isso...).
    Desejo que continue essa pessoa iluminada, capaz de compartilhar com todos que passam em seu caminho a sua luz.
    Um forte abraço!

    ResponderExcluir
  3. Bom dia Laila,
    Amigos têm o condão de nos mostrar outra forma de ver as mesmas coisas, ensinam-nos com a paciência fraterna e dadivosa dos mestres e o bom humor e leveza das almas lúcidas.
    Nada é impossível e perfeita é a proposta de refazimento, cuja abordagem mostra a coragem dos que se expõem – ao mundo – sem medo de permitir – a quem interessar – comentários, ainda mais quando o meio revela a alma – e toda sua intimidade –, expressão personalíssima de ver e vivenciar o mundo.
    A par das exceções, o homem não esconde – no espectro limitado do mundo –, a habitual observância de padrões de comportamento, simplesmente seguidos e jamais sentidos – ou melhor, distorcidamente sentidos.
    De fato, realidade e ilusão somente podem ser percebidas por cada um, percepção esta que, influenciada ou não pela razão, definirá, em si, o que representam – sendo cada escolha determinante da própria existência.
    Toda arte é ilusão. Ilusão que permeia a vida, em formas e sons e cores e gestos e silêncios ...
    A sensibilidade expressa pelos cinco sentidos alcança a percepção, envolve-a. Na mente imiscuem-se fantasia e loucura, potencializam-se, afastando a realidade.
    Tudo o que tem começo e fim pode – mas não deve – ser vivido com profundidade em seu meio. Por quê? Porque não importa a “fase” da ilusão, não há profundidade na não-existência. A alma está no plano da realidade – onde não há início e fim. Tudo o que não está no plano da realidade é ilusão. Não há riquezas na ilusão – porque não existe. No real estão “as verdades que encontramos em nossa existência”, que nos mostram “os limites entre a realidade e a fantasia”.
    Entender a ilusão importa autoconhecimento.
    Pela idéia de que “a busca pode ser agônica e infindável, capaz de quebrar a magia, o encantamento” é que “projetamos nossos sonhos e nossas esperanças”, onde a profundidade e a intensidade “determinam a verdade”.
    O real sentido das coisas está em “realizar” a inocência e a verdade da nossa criança interior, em todos os momentos de nossa vida. Esse o exato e pleno exercício de viver.
    Lembre-se: a criação não vem da inquietação da alma, mas do silêncio da mente. Você alcançará a paz quando aceitar o Amor além da dor, a Vontade além dos quereres, o Silêncio além das palavras, a Verdade além da ilusão.
    Você é capaz. Acredite.
    .
    JM
    .

    ResponderExcluir
  4. o que é real!? a ilusão assim como a desilusão são parte da vida. Quem vive sem iludir-se e desiludir-se, é um morto vivo!

    ResponderExcluir